Bonitos, fofinhos e muitos outros adjetivos positivos são atribuídos ao saguis, mais conhecidos simplesmente como micos. Os animais, de porte pequeno, são vistos constantemente pelas árvores em vários bairros do Rio, principalmente próximo a áreas de Mata Atlântica, como Urca, Cosme Velho, Tijuca, Grajaú e Ilha do Governador. Porém, ao contrário do que muita gente pode imaginar, por trás de toda a fofura, os micos escondem doenças e são considerados uma praga para a preservação do mico-leão dourado e de toda a biodiversidade local.
Segundo estudo do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), a presença abundante da espécie em ambientes que não são nativos é um problema nacional, resultado do tráfico ilegal de animais selvagens no Brasil. Vivendo em habitat que não é o deles — os animais são oriundos do Nordeste —os saguis acabam competindo com outras espécies.
“Toda espécie que não está em seu habitat natural pode causar distúrbio ambiental. Aqui na capital não temos mico-leão, mas em outras regiões do estado, como o Norte Fluminense, onde as duas espécies convivem, há registros de que os saguis afugentam grupos de mico-leão. O sagui não é local e se caracteriza como espécie invasora. Além de competir com outras espécies locais, chega a ser predadora”, explica Carlos Eduardo Verona, pesquisador do Instituto Brasileiro para Medicina da Conservação (Tríade).
Estudos comprovam que as espécies exóticas invasoras, incluindo o sagui, chegam a ser a segunda pior causa de perda de diversidade no mundo.
Na Ilha do Governador, os invasores estão em proliferação abundante, resultado da interação de moradores, que têm como hábito alimentá-los, por desconhecerem os perigos que esses invasores oferecem a bioversidade local.
Toda alimentação dos micos é baseada em frutos, seiva, insetos, ovos, ou seja, uma variedade de alimentos que os animais encontram na mata. Como esses animais estão fora seu habitat e considerando poucos predadores naturais na região, temos como resultado, centenas de saguis se alimentando de ovos e aves recém nascidas. Se a praga não for controlada, podemos ter uma drástica diminuição das espécies de pássaros na nossa região.
Esta mesma situação acontece com a presença de gatos no bairro. Muitos moradores alimentam os felinos, por total desconhecimento sobre o desequilíbrio gerado com relação as espécies de pássaros, visto que os felinos também são seus maiores predadores.
Recomendações
– Não alimente saguis. Ao alimentar esses animais, você contribuiu para a perenidade da espécie que já está em desequilíbrio na cidade;
– É importante também não deixar alimentos em locais de fácil acesso, esses animais são espertos e invadem imóveis atrás de comida;
– Não tentar pegar o animal, pois mesmo se estiver doente e frágil, se ele se sentir acuado poderá reagir e morder para se defender.
– Se encontrar um animal morto, doente ou com comportamento atípico, deve-se entrar em contato com a Patrulha Ambiental pelo telefone da prefeitura 1746.
Fonte: Portal IDEMA-Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente/ O Dia, jornal eletrônico.
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